sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

São Caetanense Futebol Clube




SÃO CAETANENSE FUTEBOL CLUBE: 102 ANOS DE HISTÓRIA

Um bilhete encontrado por Luciano Nazaré de Almeida, historiador e um dos técnicos do Arquivo Geral da Prefeitura, quando realizava procedimentos de rotina em um livro de Registro de Protocolo da Prefeitura, revelou um dado importante sobre o são Caetanense Futebol Clube de Monsenhor Horta. Pode-se dizer que é um daqueles casos raros em que um simples bilhete manuscrito em uma folha de caderneta de anotações muda uma história. O conteúdo do bilhete é revelador em vários aspectos. A revelação mais importante é a de que o São Caetanense completará 102 anos no dia 7 de agosto de 2011. O fato chamou a atenção de Luciano que separou o documento, por não ter qualquer nexo com o livro onde estava para se fazer uma avaliação do documento.
Na avaliação, utilizei-me de instrumentos da Diplomática, ciência que confere autenticidade aos documentos. Aqui, os critérios observados foram o papel, a grafia, a ortografia e a informação expressa no conteúdo textual. Também foi considerado o local onde foi encontrado. Do ponto de vista de suas características formais, constatou-se que se trata de um documento autêntico à sua época, taquigrafado por seu signatário com uma escrita bastante coloquial. Constatou-se a existência de escritas apócrifas ao texto original no lado da frente da folha: do lado direito uma operação matemática* de somar e do esquerdo, riscos formando um desenho geométrico. Verificou-se que essas intervenções não possuem relação com o conteúdo e nem foram feitas por seu autor. Para verificar a autenticidade de suas informações, foi feita ampla pesquisa nos livros de Registro de Requerimentos da Prefeitura e nada foi encontrado nos mesmos que indicassem a entrada de Requerimento solicitando registro do referido Clube. A pesquisa se estendeu à legislação municipal e nada foi localizado que pudesse demonstrar a concretização do solicitado no bilhete. Da mesma forma, nada foi localizado nos arquivos da Câmara Municipal e nos Cartórios de Registro de Notas.  
O passo seguinte foi levar a informação à comunidade e verificar se havia correspondência entre o escrito no bilhete e a memória da comunidade.
­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­            A busca por referências que pudessem comprovar de alguma maneira o conteúdo do bilhete começou por conversas com pessoas mais antigas que iam indicando outras pessoas, até chegarmos a Geraldo Magela, jogador do São Caetanense, que é citado no bilhete como sendo capitão do time, em 1963. Não foi difícil, até as coincidências foram muito favoráveis. O fato de a cidade ser pequena, também, ajuda muito.


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*Nota: Entender a operação matemática ali inserida, certamente pelo mesmo autor do desenho geométrico, foi um caso a parte. Observada a estrutura da operação e seus resultados, deduziu-se ser uma operação de multiplicar 8318x2=16636, seguida de uma operação de somar 16636+8318=99816, resultado correto. Mas e o risco depois do algarismo 8 do numerador! Será o número 1? Mas, se for o número 1, ele não faz sentido na operação, então deve ser um risco de marcação qualquer, por exemplo, marcar o “vai um” da multiplicação 2x8. Porém veio a pergunta, por que o autor não multiplicou 3X8318, logo de uma vez, visto que o resultado seria o mesmo? Pensei, poderia ter sido uma criança ou alguém treinando fazer contas. Mas, fiquei surpreso quando percebi que o resultado 99816, mostrado na operação é muito superior a 3x8318 que é igual a 24954. A conta começou a se tornar um mistério. Pensei então que o risco depois do 8 do numerador, realmente poderia ser o número 1, mas, só que do multiplicador. Então 21 seria o número do multiplicador. Só que 21x8318=174678. Então usei o caminho inverso da multiplicação para saber, afinal, que número misterioso havia no multiplicador. Para tal, dividi 99816 por 8318 e o resultado foi 12. Então, o risco depois do 8 do numerador é o 1 do numero 12 do multiplicador. Então, 12x8318=99816. Agora, por que ele colocou o número 1 do multiplicador naquela posição, não sei.


DADOS LEVANTRADOS NA PESQUISA
Diretoria antiga

Diretor João Marom
Possuiu casa à Rua dos Munsús. [Livro de IPTU Mon. Horta fl 75]
OBS: Jadir Macedo també possuiu casa na Rua dos Munsus.
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Presidente Agostinho Ventura.
Possuiu casa à Rua da Praia. [Livro de IPTU Mon. Horta fl 45]
Hoje Rua Raimundo de Assis Ventura
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Tesoureiro João Luiz Macedo 1º Secretário
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Vice  Abel Pascoal
Falecido. Possuiu casa à Rua das Formigas. [Livro de IPTU Mon. Horta fl 1]
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Tesoureiro Antonio Godoy
Falecido
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Atual Diretoria

Diretor Nilson de Godoi
Falecido. Possuiu casa à Rua do Pastinho. Transferida a João Henrique de Miranda Filho que vendeu a Vicente Hilário. Hoje Rua Raimundo de Assis Ventura. [Livro de IPTU Mon. Horta fl ]
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Presidente Geraldo Salomé
Encontrei família Salomé morando na rua das Formigas. [Livro de IPTU Mon. Horta fl 34]
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Vic
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Tesoureiro
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Treinador João Gualberto Machado
Possuiu casa à Rua de Baixo, hoje Rua Bruno Ramos. [Livro de IPTU Mon. Horta fl 193]
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Capitão Geraldo Mangela
Ainda vivo. Ferroviário aposentado. Residente a Rua Beira Linha, 132, distrito de Bandeirantes, Mariana. Nascido em Monsenhor Horta, em 1939, casou-se em abril de 1962, época em que jogava no São Caetanense. Irmão de Raimundo Ventura Neto e Caetano Ventura, também vivos e jogadores do mesmo time. São filhos de Agostinho Ventura da velha diretoria???
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João Ladislau da Silva
Autor do bilhete. Foi presidente da Conferência São Vicente de Paula. Tocava na banda. Vulgo João Padaria.
ENTREVISTAS COLETADAS
Efigênia Aparecida da Silva Paulino, moradora em Mariana à Rua Salomão Ibrahim. Em 05/06/2009.
João Nicolau de Castro, morador na rua ........... zelador da Igreja de Nossa senhora do Carmo em Mariana. Em 05/06/2009.
Informa que João Nicolau de Castro, João Ventura, vulgo João Broca, já falecido, foi um grande jogador do São Caetanense. Informou também que seu pai também foi jogador do mesmo time.
Gaida. Em 05/06/2009.
Antonio Pacheco, morador à rua Dom Silvério, membro da Ordem 3ª de São Francisco de Assis. Em 05/06/2009.
Informa que o zelador da Igreja do Carmo mora na Mangueira.
Geraldo Magela, aposentado. Residente a Rua Beira Linha, 132, distrito de Bandeirantes, Mariana. Tel. 3556-4181
Quando indagado sobre o fato de ter sido capitão do time, ele respondeu não ter lembrança. Perguntado se lembrava das pessoas ali mencionadas, respondeu ter conhecido e que estavam todos falecidos. Não tem fotografia do clube, não se lembra do uniforme.
Maria Auxiliadora Ventura Braga
Entrevistado em 06/06/2009. Residente à rua Raimundo de Assis Ventura, n. 260, distrito de Mon. Horta. Tel. 3557-7073 ou 8432-4439. Nascida em 1949 e completará 60 anos.
Informou que:
Nilson de Godoi era sapateiro; Geraldo Salomé, vulgo Xodó era dono do botequim da praça; Joâo  Gualberto Machado, vulgo Tilico, trabalhava na medição de carvão na estação; Geraldo Magela, foi agente da estação em Ribeirão do Carmo; Abel Pascoal manobrador da Rede Ferroviária; Agostinho Ventura, meu tio, irmão do meu avô Raimundo de Assis Ventura; João Morrom não; João Luis Macedo não; Antonio Godoi não;
Sara Feliciano Salomé
Entrevistado em 06/06/2009. Residente à rua Benigno Hildefonso Correa, 16 (ainda r. Alexandre Alves ou r. da Praça – nomes antigos). Tel. 9916-7349.
Filha de Geraldo Salomé.


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